Arquivo para May, 2008

A evolução da língua portuguesa

Mudanças da língua e a influência da web

Pesquisadores, professores, estudantes, todos estão sempre discutindo sobre a evolução da língua e as conseqüências do Orkut, Messenger, Google Talk, Skype, entre outros meios de comunicação online, na linguagem escrita. Sabemos que essas são ferramentas de comunicação rápida, e por isso, existe a abreviação de diversos termos como: você (vc), também (tb), espera aí (peraí), beijo (bj), abraços (abs), entre muitos outros.

O que encontramos são jovens inventando e reinventando a nossa língua materna. São criadas palavras específicas para grupos de amigos, ou até mesmo, dialetos que significam uma situação ou sentimento, que apenas uma “tribo” compreende. Além das imagens que são utilizadas para ilustrar alguma ação.

O interessante é que não podemos falar que isso é errado, porque se não fossem os jovens a língua escrita seria estática, algo que não poderia ser mudado, nem transformado com o tempo. Ou seja, não teríamos a evolução dos termos, dialetos e culturas.

Portanto, podemos dizer que existem expressões adequadas e inadequadas para cada contexto.

Se os jovens tivessem acesso a educação de maneira que eles soubessem adequar a língua portuguesa para cada situação da vida, ou melhor, contextualizar a sua linguagem para cada momento, acredito que a evolução da língua portuguesa seria mais aceita, porque apesar dos termos “rápidos” criados para se comunicar nos programas de bate-papo, eles saberiam também fazer o uso da norma culta, aquela que tanto incentivamos para as situações formais, como: concurso, vestibular, entrevista de emprego, reuniões, entre outros.

Isso significaria que em uma reunião de negócios, um jovem profissional, saberia pronunciar os termos da língua portuguesa na norma culta, fazendo a conjugação o adequada dos verbos e sabendo expor suas idéias de maneira coesa e coerente. Entretanto, em encontros com sua turma de amigos, esse mesmo jovem poderia utilizar os dialetos seja na língua oral, ou na língua escrita, que o define como participante de uma turma contemporânea.

A diferença está nessa contextualização da língua, porque o jovem tem sim o direito a evoluir a língua, mas junto com essa evolução ele precisa entender que para cada situação é necessário uma linguagem adequada, às vezes formal, outras informal.

Para exemplificar essa evolução da língua portuguesa de maneira muito bem humorada, assistam abaixo o vídeo “Evolussaum”, retirado do site Charges.com.br. Ou, façam o download do vídeo.

Publicado em: 28/05/2008 | Tags: Web, Comunicação, Webwriting | Comentários: 1

Acessibilidade Legal

Para os profissionais que estão começando a trabalhar com web, ou, para os experientes profissionais que estão aprendendo sobre acessibilidade, foi lançado algumas semanas atrás um site no qual podemos encontrar explicações para a maioria das nossas dúvidas. E se você não encontrar, pergunte ao editor do site, que ele lhe ajudará.

Estou falando do Acessibilidade Legal, site criado por Marco Antonio de Queiroz, ou, mais conhecido como MAQ. Para conhecermos melhor sobre o objetivo do site, vamos conhecer um pouco sobre esse profissional e seu trabalho na web.

1. Quem é o MAQ?

Caramba, que pergunta difícil! Vou perguntar a ele…
MAQ, quem é você?

Sou um sujeito fazendo hora extra na vida e tentando deixá-la o mais agradável possível. Gosto de ocupar meu tempo fazendo coisas úteis para mim e para outras pessoas. Acho que isso seja porque, de uma forma geral, nós, pessoas com deficiência, precisamos da ajuda das pessoas mais do que é comum das pessoas precisarem. Daí procuro fazer algo que compense, pelo menos na minha cabeça. Acessibilidade web é algo pelo qual me interessei e que pode ajudar a muitos. No início eu fazia tudo de graça. Aconteceram duas coisas: começaram a abusar por um lado e, por outro, a não valorizar o serviço especializado. É como se dissessem: vamos deixar as páginas acessíveis para vocês mesmos, então estamos, na verdade, fazendo o favor de deixar você nos ajudar a fazermos uma web mais acessível.

Bem… aí comecei a cobrar, e a cobrar bem… Choveu e ainda está chovendo trabalho! Acho que o pessoal só acredita pagando! (risos).

Trabalhei 23 anos com programação de computadores no SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados), mas, depois de dois transplantes, um de rim e outro de pâncreas, tive de me aposentar. Cego, diabético, transplantado duas vezes é o MAQ que é mais aparente para as pessoas, mas existe o MAQ casado, pai de um garotão de 19 anos, com alguns amigos, que adora ler, escrever, assistir filmes, o almoço tradicional de domingo com a família em um restaurante bem gostoso aqui de perto, gosto de teatro e de coisas novíssimas… sabe que fui o primeiro jurado cego de um festival de cinema do mundo?

www.acessibilidadelegal.com/videos-externos/programaespecial.mpg

Os sites que fiz foram, e ainda são, uma forma de mostrar a todos que pessoas com deficiência não estão em outro mundo. Que uma cadeira é uma cadeira para mim como para todos, uma casa, uma pessoa, um jogo de futebol (mengooo!), uma paixão!

2. Qual é o objetivo do Bengala Legal?

O “Bengala Legal” surgiu porque, estando no trabalho um dia de intervalo de projetos, conversando com um estagiário que fazia sites em sua própria empresa, ele me perguntou porque eu não fazia um site.
Eu? Para quê?
O cara respondeu:
- Se eu fosse cego, transplantado e tivesse escrito um livro, teria motivo para fazer 3 sites e não um só.

Parei e pensei: está aí uma forma de ajudar o mundo - falar para diabéticos que essa doença pode matar se não tivermos cuidado com ela, mostrar a todos que nós cegos somos gente, mais um pouquinho do que algumas pessoas falam de boca para fora, falar do transplante que foi a melhor coisa que fiz na vida e que, graças a ele, na verdade eles, estou vivo hoje escrevendo para o seu blog, comunicar ao mundo o que o mundo tem vergonha de perguntar etc…

Aí a coisa foi se expandindo, de forma que hoje o Bengala tem 320 páginas de artigos de especialistas e pessoas com os mais variados tipos de deficiência, mas todos com o espírito que o logotipo do site mostra - pessoas para cima,vencendo obstáculos, batalhando e conquistando espaços. Recebi e recebo tantos artigos de pessoas para serem colocados no Bengala, que aprendo todos os dias a viver novamente, sempre com paixão, pois sem emoção a vida deve ser um saco!

3. E agora, qual a finalidade do Acessibilidade Legal?

A finalidade do Acessibilidade Legal foi separar os públicos. No Bengala Legal eu colocava artigos sobre inclusão social, escolar, no trabalho, na vida das pessoas com deficiência, inclusive a minha; acessibilidade arquitetônica, nos meios de comunicação (caixas eletrônicos bancários, livros acessíveis etc), trabalhos acadêmicos, vídeos e depoimentos em mp3, etc.

Aí, quando comecei a escrever e colocar sobre acessibilidade web, o público não era mais de professores, especialistas, acadêmicos, pessoas com deficiência etc, passou a ser de pessoas mais técnicas, que não queriam saber da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, mas das Diretrizes de acessibilidade web do W3C, WAI e o WCAG, o WCAG Samurai, padrões web, usabilidade, como fazer páginas acessíveis, ferramentas, leitores de tela etc. Aí está o danado, é para quem queira realmente saber sobre acessibilidade web, tecnologias assistivas e coisas afins.

4. Quem escreve para o Acessibilidade Legal?

O Acessibilidade Legal tem a mesma filosofia do Bengala Legal. Eu não me aguentaria escrevendo um site inteiro sozinho. Já imaginou 320 artigos escritos pelo MAQ no Bengala? Não imagine, pois não vai voltar lá nunca mais! Tem mais gente, tem mais gente! Assim, a idéia é que pessoas que saibam sobre o assunto e queiram colaborar, enviem seus textos. Claro que tem um tal de MAQ que vai dar uma olhada crítica no texto, vai ver se a pessoa pensa acessibilidade como o MAQ pensa e gostaria que fosse, para publicar os artigos. No Bengala Legal existem uns 10 textos meus dos 320 que foram publicados. Esse percentual vai aumentar muito para o meu lado no Acessibilidade Legal, pois sou especialista e consultor do assunto específico do site.

Mas, já existem por lá traduções do Maurício Samy Silva, enviada por ele a meu pedido, do Henrique Costa Pereira, do Revolução.etc, que há muito já escreve sobre o assunto em seu blog, do Bruno Torres que trabalha comigo na Acesso Digital, do Ivo Gomes que possue também uns textos bastante interessantes e já colocados por lá, o Fred do Usabilidoido, meu chapinha que admiro e que é filho de um amigo meu de infância (não vou dizer a ninguém que tenho 51 anos, nem que caia o mundo), tem o design do Horácio Soares, que também trabalha comigo e que fez o logotipo e a “cara” da página e o trabalho incansável do Gil Porta, que não é muito conhecido na área, mas que é um dos maiores conhecedores de acessibilidade que conheço e que sempre está me ajudando no visual da página, dizendo para mim se uma imagem pode ficar à esquerda, se é melhor centralizar etc… ele fez todos os scripts da página, os javascripts e os de php, fez o CSS do visual que o Horácio enviou etc… é uma pessoa com deficiência, é tetraplégico, de BH, e o cara mais paciente do mundo, pois para me aturar tem de ser!

Eu codifico os textos em (X)HTML strict, o Bengala é em HTML Strict, faço a acessibilidade e coisas assim, tudo em handcode. Dessa forma, o Acessibilidade Legal já está com 55 textos sobre padrões web (CSS, XHTML e Scripts), tecnologias assistivas, como leitores de tela, mouses oculares, display braille, acessibilidade, de como fazer sites acessíveis etc… Não sei, mas acho até que seja o único site exclusivamente sobre acessibilidade web que não vende serviços, que é somente de informação. O que ganho com ele é o prazer de estar espalhando noções de acessibilidade web pelo mundo, coisa que mais gosto e sei fazer.

Mas, aproveitando a oportunidade, você que está lendo este sujeito que vos escreve, que sabe de textos bacanas sobre acessibilidade na web, envie-me, com fontes e créditos, que terei o maior prazer de disponibilizar em meu site!

Para os que aturaram o carinha aqui escrevendo tanto e, para você, Alessandra, meu muito obrigado!

Abraços acessíveis e fáceis de usar do MAQ.

Publicado em: 06/05/2008 | Tags: Web, Tecnologia, Comunicação, Acessibilidade | Comentários: 2

Boas condutas no e-mail corporativo

Novamente quero entrar nesse assunto do e-mail corporativo. Por quê? Porque é um dos grandes problemas que vemos nas empresas. Os profissionais não sabem se comunicar, muitas vezes não sabem escrever um e-mail, ou, simplesmente dividir as informações na mensagem, de forma que fique clara.

Desde que comecei a trabalhar como webwriter devo enviar quase todos os dias cerca de vinte e-mails, tanto para clientes como também para os colaboradores da empresa. Por isso, resolvi tomar alguns cuidados para que os e-mails não fossem esquecidos pelos clientes, pelos colaboradores e por mim.

Informe aos responsáveis pelo projeto todas as atividades em desenvolvimento

Sempre que recebo um e-mail solicitando alterações em um determinado projeto, eu reencaminho para todos os profissionais envolvidos do projeto. Você acha que isso é spammer? Não mesmo, isso se chama responsabilidade.

Dessa maneira, o programador, o webdesigner, o redator, o consultor comercial, o gerente, entre outros profissionais responsáveis pelo bom andamento do site, estarão ciente da evolução do projeto, as alterações, solicitações e problemas enfrentados durante o desenvolvimento do site.

A boa comunicação entre os profissionais melhora os índices de qualidade e diminui o número de erros dos projetos.

Dicas

Sobre a distribuição das informações nos e-mails

  • Escreva parágrafos pequenos, pois assim o destinatário não terá preguiça de ler o seu e-mail. Por mais que o e-mail tenha que ser grande - porque pode ser a documentação de uma alteração do projeto, ou, ata de reunião - o simples fato de existir parágrafos pequenos já facilita a leitura.
  • Pense que um e-mail deve ter início, meio e fim, portanto, comece a mensagem com um cumprimento, faça os comentários – solicitações, argumentações, ou, justificativas – em seguida, finalize a mensagem informando o que se espera com o e-mail, ou, o objetivo que teve a mensagem.
  • Releia a mensagem antes de enviar o e-mail. Se você não utilizar o corretor automático do Outlook (ou do seu e-mail pessoal), então, tenha esse cuidado, pois muitos erros podem ser evitados com a leitura. Mas se caso você enviar a mensagem e só depois ver o erro, não tenha vergonha de reencaminhar o e-mail corrigindo.

Sobre a separação dos e-mails

  • Uma dica que já comentei em outro artigo, mas que seria interessante repetir é: se você utiliza o Outlook para receber seus e-mails, crie uma pasta com o nome de cada projeto que está trabalhando, assim fica mais fácil você encontrar os e-mails. Caso você use, por exemplo, Gmail, nele você pode criar as pastas e dividir seus e-mails nelas.
  • Outro detalhe, sempre no assunto do e-mail, coloque primeiro o nome do projeto e depois o título. Essa é outra maneira de encontrar com maior facilidade o e-mail do seu cliente.
  • Como responder um e-mail de solicitações do cliente?

    Muitas vezes seu cliente lhe envia um e-mail com uma lista enorme de tarefas para fazer, são correções, alterações, implementações, e você precisa responder o cliente, dar um “feedback” sobre as atividades que já foram realizadas no projeto e o quê ainda está em andamento.

    Uma maneira clara de responder o cliente é copiar a lista de solicitações, você pode passar para o Word e abaixo de cada tópico escrito pelo cliente, colocar com uma fonte e cor diferente, a resposta para cada solicitação. Assim fica mais claro do cliente entender qual é a resposta.

    Parece bobo, mas vejo muito desses problemas no dia-a-dia, além de ouvir profissionais de outras empresas, ou seja, outros ramos de negócio, o problema que eles enfrentam com os e-mails. O problema não está apenas nos profissionais web, o problema de comunicação é geral. As pessoas não sabem se comunicar com clareza e é isso que eu tento melhorar na empresa onde trabalho.

    Portanto, fique atento ao enviar um e-mail para o cliente, ou, para os profissionais da empresa onde trabalha, preocupe-se em dividir as idéias em parágrafos e revisar o que você escreveu. Todos sabem a língua materna, o que precisamos é utilizá-la de maneira correta, principalmente, em ambientes em que a sua linguagem define muito o seu trabalho.

Publicado em: 04/05/2008 | Tags: Web, Comunicação, Acessibilidade, Webwriting | Comentários: 4